sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma mulher nada comum [1]

Entrevista.




- Por favor senhora, me acompanhe - disse uma mulher alta, loira, magra e com um daqueles conjuntinhos de escritório, saia e casaco rosa e a blusa branca, estilo barbie.

- Há, obrigada - sorri um pouco falsamente para a mulher e entrei no escritório, logo o homem que estava por trás da mesa indicou a cadeira a frente para que eu sentasse-me, então, dei mais um sorriso e sentei-me.

- Bom dia, senhora .. - ele pegou a ficha e olhou meu nome - Senhora Aurora, bom eu li o seu currículo e interessei-me bastante, afinal, não é qualquer dia que encontramos uma pessoa com doutorado e outra faculdade. - ele sorrio e pegou mais uma vez na ficha - Bom, se não se incomoda quero fazer umas perguntas.

- Tudo bem, pode fazer, estou pronta - na realidade não estava pronta, mas é o que se deve dizer em entrevistas.

- Bom, a senhora é casada?

- Sim, a praticamente três anos, faço hoje. - com um enorme sorriso em minha face, mostrei a aliança de diamante para o homem.

- Tem filhos? - ele olhava sério para mim.

- Não, tentei ficar grávida, mas acabei perdendo o neném - fiz uma pequena pausa e prossegui - Aborto espontâneo, mas agora não pretendo ter filho, talvez, no futuro.

- A quanto tempo não trabalha?

- Bom, a cerca de dois anos, sabe como é, casamento recente precisa de um pouco de tempo para ficar estável - tentei sorrir, mas o nervosismo não deixava nada aparecer, nem um dente se quer.

- Você acha que está preparada para o emprego? - ele continuava a me olhar estranhamente, o que seria? Pena? Preconceito?

- Porque eu tenho certeza que vou fazer meu trabalho direito, porque eu sou responsável e vou levar essa empresa para o sucesso que ela jamais imaginaria ganhar. - não me contive e dei um belo sorriso de triunfo, se aquele homem sentia pena de mim, ele não sentiria mais.

- Bom, ligaremos para a senhora em breve, obrigado e tchau - ele levantou-se e esticou a mão para cumprimentar-me.

- Vou esperar - levantei-me e com o sorriso triunfante em minha face apertei com bastante força a mão do homem.




Sai do escritório feliz e saltitante, acho que era meu dia de sorte. Agora, teria que visitar um local para fazer aquela surpresa para meu marido quando ele chegasse em casa, principalmente, porque era o dia que faríamos três anos de casados.












Nenhum comentário:

Postar um comentário